Setembro Amarelo
E a prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo é a campanha mundial de conscientização sobre a prevenção do suicídio, realizada ao longo de todo o mês de setembro. O objetivo é quebrar tabus, incentivar o diálogo aberto sobre saúde mental e orientar a população sobre sinais de alerta e formas de buscar ajuda. No Brasil, a campanha é coordenada principalmente pelo Conselho Federal de Medicina, Associação Brasileira de Psiquiatria e diversas instituições públicas e privadas, que promovem palestras, ações educativas, iluminação de prédios e divulgação de canais de apoio.
No setor público, governos federal, estaduais e municipais desenvolvem políticas de saúde mental integradas ao SUS, com ênfase na atenção psicossocial, na capacitação de profissionais e na ampliação do acesso a serviços especializados. Em Santa Catarina, destacam-se os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), ações em escolas, hospitais, campanhas regionais e parcerias com universidades e organizações da sociedade civil. Essas iniciativas buscam identificar precocemente situações de risco, oferecer acolhimento humanizado e reduzir o estigma em torno do sofrimento psíquico.
Em relação aos casos de suicídio nos últimos 10 anos, os dados oficiais no Brasil são consolidados principalmente pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e por relatórios da Organização Mundial da Saúde. De forma geral, o país tem registrado tendência de crescimento gradual nas notificações, em parte pela melhora na qualidade dos registros, mas também por fatores sociais, econômicos e culturais que impactam a saúde mental. A taxa brasileira gira em torno de um dígito por 100 mil habitantes, variando conforme região, faixa etária e gênero, com maior incidência entre homens e em grupos específicos, como jovens e idosos.
Em Santa Catarina, os indicadores costumam estar entre os mais altos do país, o que levou o estado a intensificar estratégias de prevenção, vigilância epidemiológica e apoio às famílias enlutadas. É importante ressaltar que números exatos e séries históricas detalhadas devem ser consultados em fontes oficiais atualizadas, como o DataSUS, boletins epidemiológicos estaduais e publicações da OMS.

Santa Catarina na última década revela um cenário crítico, consolidando o estado de forma recorrente como o segundo com a maior taxa de mortalidade por suicídio no Brasil. Os dados coletados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria de Estado da Saúde de SC apontam uma média histórica estadual que flutua entre 7 e 11 óbitos por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional.
Distribuição Geográfica (O "Mapa" do Estado)
O comportamento das notificações varia fortemente de acordo com a região geográfica. Historicamente, a mortalidade por suicídio no estado aumenta progressivamente à medida que se desloca do litoral em direção ao interior.
- Alto Uruguai Catarinense e Extremo Oeste: Apresentam os índices mais alarmantes do estado. Cidades dessa região de saúde chegam a registrar taxas superiores a 20 óbitos por 100 mil habitantes.
- Meio-Oeste e Planalto Serrano: Regiões caracterizadas por forte atividade agrícola e pequenos municípios figuram consistentemente no topo do ranking de letalidade.
- Vale do Itajaí: Concentra um alto volume absoluto de casos, divididos de perto com o Extremo Oeste na representação do total de mortes no estado.
- Grande Florianópolis e Litoral: Historicamente apresentam as menores taxas proporcionais de mortalidade por 100 mil habitantes, embora os números absolutos preocupem devido à densidade populacional.
A análise dos dados consolidados pelo COSEMS/SC e relatórios de saúde delineia as seguintes características predominantes das vítimas:
- Gênero: Ampla maioria masculina. Cerca de 76% a 77% dos óbitos consumados ocorrem em homens, enquanto as mulheres representam a maioria das notificações de tentativas de suicídio e lesões autoprovocadas.
- Faixa Etária: O maior volume de óbitos concentra-se em adultos na faixa dos 30 aos 50 anos. No entanto, há um alerta severo das autoridades para o crescimento de casos entre idosos acima de 70 anos e o aumento recente de notificações entre adolescentes de 10 a 19 anos.
- Método Principal: O enforcamento é isoladamente o meio mais utilizado no estado em ambos os sexos.
O cenário recente agravou-se na esfera da saúde mental infantojuvenil. Dados oficiais levantados pela promotoria de justiça apontaram que, em anos recentes como 2024 e 2025, o estado chegou a registrar cerca de 19 mil notificações de tentativas de suicídio anuais, com mais de 8.000 ocorrências envolvendo crianças e adolescentes.
Fontes:
. Ministério Público Federal/SC
. Orgãos do Governo do Estado de SC
. Sistema de Informação de Mortalidade (SIM)
